Achei que fosse o covarde da história, o que fugiu, o que largou tudo sem olhar pra trás. Mas quanto mais olho ao redor, mais percebo que talvez eu seja o mais corajoso dessa tribo perdida. Os outros se escondem em fumaça e teorias, desenham planos mirabolantes que nunca saem do papel, enquanto eu pelo menos admito que não sei pra onde tô indo, mas sigo andando.
O mocinho egípcio, esse enigma que caiu comigo na estrada, me cansa mais do que qualquer caminhada sem rumo. Ele avança quando sente que tô indo embora, se dissolve quando me aproximo. Um jogo que nunca termina, que me faz sentir tão imaturo quanto ele, como se estivéssemos brincando de não nos encontrar.
Enquanto isso, a vida aqui segue no mesmo ritmo arrastado, entre tragos e goles, entre conversas sobre um futuro que nunca chega. E eu me pergunto: se todo mundo aqui tem tanto medo de sair do lugar, então quem é o verdadeiro covarde? Talvez o único que realmente tentou algo diferente tenha sido eu. Talvez coragem seja isso – perceber que essa estrada não leva a nada e ainda assim ter a ousadia de seguir em frente.
terça-feira, 22 de setembro de 2015
Talvez um cão coragem chamado covarde....
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