segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Rezando a Gaia? Acho que Sagan não iria aprovar isso

Não juntei as mãos. Não porque desprezo o que eles fazem, mas porque algo dentro de mim trava. Ceticismo? Orgulho? Medo de parecer ridículo? Talvez um pouco de tudo. Eles entram no momento, fecham os olhos, se entregam. Eu fico ali, olhando de fora, sempre analisando, sempre duvidando.O mocinho egípcio tem suas verdades e fala delas com tanta certeza que às vezes me pergunto se ele realmente encontrou algo ou só aprendeu a contar a história melhor do que eu. Mas, no fim, quem sou eu pra julgar? Eu também larguei tudo sem ter certeza do que procurava. Talvez seja essa a diferença: eles abraçam a incerteza, enquanto eu continuo tentando decifrá-la.Talvez juntar as mãos não signifique acreditar, mas simplesmente deixar acontecer. Talvez o maior cético do grupo seja eu, que ainda não aprendi a confiar nem no que sinto.

domingo, 4 de outubro de 2015

Admirável chip velho na beira da praia



A internet tá um lixo. Carrega, trava, some, reaparece só pra dar esperança e sumir de novo. Tô tentando postar, mas parece que tô pedindo um milagre.
Mas né… tô em Itacaré, no meio do nada, com o pé na areia e o mar na frente. Se parar pra pensar, já é um feito ter sinal aqui. Ainda assim, o lado ansioso quer reclamar.

"Pane no sistema, alguém me desconfigurou
Aonde estão meus olhos de robô?"

Pois é, Pitty, nem eu sei. Aqui o tempo tem outra pegada, a pressa não cola, e a tecnologia parece entender isso melhor do que eu.
Reclamo? Reclamo. Mas no fundo, até que faz sentido. Talvez a internet esteja só me lembrando que tem coisa melhor pra fazer do que ficar esperando a página carregar.


sábado, 3 de outubro de 2015

Hoje vamos fazer um prédio? Será? O burro não tem nem o que pastar...

Essa imagem resume bem a contradição que me pegou de jeito. A ideia era "sair do sistema", mas na prática, acabamos dependendo dele da pior forma: sem produzir, sem trocar esforço por sustento, só pegando o que outros suaram pra conseguir. Viramos parasitas do mundo que queríamos desparatizar.
Olho ao redor e vejo esses caras deitados na rede, cabelos desgrenhados, roupa do dia anterior, falando de liberdade enquanto esperam que a comida chegue de algum lugar. E eu ali, tentando entender onde foi que me meti. Na teoria, estávamos rompendo com a engrenagem. Na prática, só terceirizamos o trabalho para quem ainda tem os pés no chão.
Me senti um político hipócrita. Um daqueles que fala bonito sobre revolução, mas não pega uma enxada, não planta um pé de alface, não racha uma lenha. O sistema ainda nos sustentava, só que agora sem que precisássemos admitir. E talvez essa tenha sido minha maior lição: fugir do sistema sem construir nada para substituí-lo é só outro jeito de ser conivente.

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Livro A Cidade Solitária


"Assim como a depressão, como a melancolia ou a inquietude, a solidão está sujeita também a uma patologização a ser considerada uma doença.” (p.12)