A estrada segue e eu sigo com ela sem saber se estou indo ou fugindo. Raul toca no fone e tudo parece fazer sentido por um instante até não fazer mais. Deixar para trás um relacionamento bom e saudável foi como largar um livro pela metade sem saber se o final valia a pena. Agora tem outro nome, outro rosto, outra sensação. Mas será que é real ou só mais uma forma de preencher um espaço que nem sei se precisa ser preenchido?
O vento bate forte, o cheiro de terra molhada invade os sentidos, e eu me pergunto se essa estrada leva a algum lugar ou se é só um jeito bonito de disfarçar a confusão. Raul dizia pra tentar outra vez mas tentar o quê? Amar? Esquecer? Fingir que essa vontade nova não é só um reflexo mal calculado daquilo que me falta?
As estrelas piscam sem pressa, indiferentes. Talvez saibam que algumas perguntas não precisam de respostas. Talvez o segredo esteja em simplesmente seguir. Então eu ando, deixo a noite me engolir e a música continuar tocando porque no fim das contas é só isso que dá pra fazer.
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