A estrada pode ser incerta, mas talvez seja exatamente essa incerteza que nos mantém vivos. Nietzsche dizia que quem tem um porquê enfrenta qualquer como, e eu começo a entender que não é sobre o destino, mas sobre o movimento. O sentido não está na linha de chegada, mas na coragem de seguir, de se transformar ao longo do caminho, de encarar o caos sem medo de queimar no próprio fogo.Penso nisso enquanto Raul ainda toca no fone, me lembrando que "o que é que eu sou nessa vida, meu Deus? Mais um corpo jogado no mundo." Mas será? Talvez sejamos mais que corpos errantes, talvez sejamos fagulhas em busca de algo que ainda não sabemos nomear. E não sou o único que pensa assim. Zaratustra desceu da montanha para falar aos homens, porque sabia que a jornada não é solitária. Bob Dylan já cantava "he who is not busy being born is busy dying", e no fundo, é isso que estamos fazendo – renascendo a cada passo, mesmo quando não temos certeza de onde vamos parar.O mocinho egípcio me confunde, mas até nisso há aprendizado. Há algo de nietzschiano nesse jogo de avanços e distâncias – um eterno retorno de vontades que não sabem se querem ser saciadas ou continuar ardendo. No fim, talvez isso faça parte do grande experimento que é existir sem amarras, sem certezas, sem um script definido.O que eu sei é que o mundo pertence aos que têm coragem de se reinventar. Aos que desafiam o conformismo e ousam buscar algo mais, mesmo sem saber exatamente o que. Não há destino traçado, não há mapas definitivos, só a estrada e a vontade de seguir. Como diria Belchior, "minha alucinação é suportar o dia a dia e meu delírio é a experiência com coisas reais". E se há delírio, que seja pelo risco de viver intensamente.
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