quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Espero encontrar mais um desses no caminho.

Terminei O Velho e o Mar a alguns dias, mas não tive acesso a internet nos últimos dias, acho que isso vai ser o mais complicado para manter minhas anotações em dia por aqui. Mas quanto ao término do livro, eu fiquei ali sentado no meio-fio de uma cidade qualquer, onde ninguém sabe meu nome e onde amanhã talvez eu já não esteja. O livro ficou fechado sobre as minhas pernas por um tempo, como se precisasse de um momento para respirar depois de tudo que me fez sentir e sei que pra continuar lendo terei que deixar esse exemplar em um sebo qualquer para assim talvez conseguir ler outro, já que minha cabeça está uma bagunça, ler me acalma.

Santiago passou dias lutando contra o mar, contra a solidão, contra a certeza de que talvez estivesse condenado a voltar de mãos vazias. E, no fim, voltou. O peixe que ele tanto lutou para conquistar foi arrancado dele antes que pudesse provar seu valor a qualquer um. Mas será que ele precisava?

Olho para o asfalto, para as mochilas largadas ao lado, para o céu que parece sempre maior quando a gente não sabe para onde está indo. Me sinto um pouco como o velho pescador—lutando contra algo que talvez eu nem consiga nomear. A diferença é que ele sabia exatamente o que queria. Eu, não.

Mas talvez a maior lição esteja aí. Talvez não se trate de chegar a algum lugar, nem de provar nada para ninguém. Talvez se trate apenas de seguir em frente, remar quando for preciso, descansar quando o corpo pedir, aceitar o mar como ele é.

Ainda não sei o que me espera no próximo destino. Ou se há um destino. Mas sigo.

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