E quando, enfim, a água doce escorre pelos meus lábios, lá vêm eles. Os irmãos perdidos, os fantasmas da estrada, os que se afundam em teorias sem nunca ter segurado um facão na vida. Querem um gole, um pedaço, um pouco daquilo que só eu suei pra conquistar. E eu dou, porque sei que no fundo estamos todos com sede, cada um de um jeito diferente.
Mas enquanto vejo eles se lambuzando sem saber nem por que chegaram até aqui, me bate um estalo. Será que sou eu que tô perdido ou foi o mundo que se achou num labirinto sem saída? Será que essa escolha de vagar sem rumo foi minha ou só um jeito de escapar daquilo que nunca fez sentido?
O coco acaba, os rastros de sede continuam. O sol segue rachando minha cabeça. Talvez seja só a desidratação, mas por um segundo acho que tive um momento de lucidez.
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