quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Tagarelando mentalmente

A estrada pode ser incerta, mas talvez seja exatamente essa incerteza que nos mantém vivos. Nietzsche dizia que quem tem um porquê enfrenta qualquer como, e eu começo a entender que não é sobre o destino, mas sobre o movimento. O sentido não está na linha de chegada, mas na coragem de seguir, de se transformar ao longo do caminho, de encarar o caos sem medo de queimar no próprio fogo.Penso nisso enquanto Raul ainda toca no fone, me lembrando que "o que é que eu sou nessa vida, meu Deus? Mais um corpo jogado no mundo." Mas será? Talvez sejamos mais que corpos errantes, talvez sejamos fagulhas em busca de algo que ainda não sabemos nomear. E não sou o único que pensa assim. Zaratustra desceu da montanha para falar aos homens, porque sabia que a jornada não é solitária. Bob Dylan já cantava "he who is not busy being born is busy dying", e no fundo, é isso que estamos fazendo – renascendo a cada passo, mesmo quando não temos certeza de onde vamos parar.O mocinho egípcio me confunde, mas até nisso há aprendizado. Há algo de nietzschiano nesse jogo de avanços e distâncias – um eterno retorno de vontades que não sabem se querem ser saciadas ou continuar ardendo. No fim, talvez isso faça parte do grande experimento que é existir sem amarras, sem certezas, sem um script definido.O que eu sei é que o mundo pertence aos que têm coragem de se reinventar. Aos que desafiam o conformismo e ousam buscar algo mais, mesmo sem saber exatamente o que. Não há destino traçado, não há mapas definitivos, só a estrada e a vontade de seguir. Como diria Belchior, "minha alucinação é suportar o dia a dia e meu delírio é a experiência com coisas reais". E se há delírio, que seja pelo risco de viver intensamente.

O mundo é um teatro, e eu tô no palco ou na plateia?

Schopenhauer dizia que o mundo é só uma representação criada pela nossa mente. Ou seja, tudo que vejo, sinto e acredito pode ser só ilusão. E se for? Se essa estrada que escolhi não for liberdade, mas só um jeito bonito de fugir?
Nietzsche pegou essa ideia e virou do avesso. Se a vida é um caos de vontades insaciáveis, então o jogo é aprender a dançar com isso, transformar sofrimento em força. Raul Seixas já cantava isso sem precisar de filosofia pesada. Prefiro ser uma metamorfose ambulante. Mas será que tô mudando mesmo ou só girando sem sair do lugar?
Schopenhauer trouxe o budismo pra filosofia ocidental, falando do desapego das vontades. Mas como se desapega quando é a própria busca que me mantém andando? Não sei. Só sei que, seja fuga ou transformação, sigo caminhando. E como diria Belchior, amar e mudar as coisas me interessa mais.


terça-feira, 29 de setembro de 2015

 


Eu não quero nem saber, eu não me importo. Tudo o que digo é a mais pura verdade, a minha verdade...


Eu fiz de novo.

Estou falando sozinho. Droga.



quinta-feira, 24 de setembro de 2015

 eu acordo e já sei que o dia vai dar errado porque tudo anda errado há algum tempo e não tem um ponto específico pra culpar, é só uma sensação geral de coisa mal resolvida, eu penso em sair mas sair também custa, tudo custa, até ficar parado custa, e no meio disso eu me pego pensando em coisas que não deveriam ocupar espaço agora, pessoas, ideias, possibilidades que não levam a lugar nenhum, mas mesmo assim insistem, eu tento não pensar muito porque quando penso demais começo a lembrar de coisas que não posso resolver hoje, então eu fumo, bebo um pouco, depois mais, não pra celebrar nada, só pra não sentir esse peso constante de estar falhando em várias direções ao mesmo tempo, e o pior é saber que amanhã não vai ser muito diferente, mas mesmo assim eu continuo andando, falando, fingindo alguma normalidade mínima, porque parar de vez parece mais perigoso do que continuar errado

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

lá vai o vento Brasil a dentro....

A estrada segue e eu sigo com ela sem saber se estou indo ou fugindo. Raul toca no fone e tudo parece fazer sentido por um instante até não fazer mais. Deixar para trás um relacionamento bom e saudável foi como largar um livro pela metade sem saber se o final valia a pena. Agora tem outro nome, outro rosto, outra sensação. Mas será que é real ou só mais uma forma de preencher um espaço que nem sei se precisa ser preenchido?
O vento bate forte, o cheiro de terra molhada invade os sentidos, e eu me pergunto se essa estrada leva a algum lugar ou se é só um jeito bonito de disfarçar a confusão. Raul dizia pra tentar outra vez mas tentar o quê? Amar? Esquecer? Fingir que essa vontade nova não é só um reflexo mal calculado daquilo que me falta?
As estrelas piscam sem pressa, indiferentes. Talvez saibam que algumas perguntas não precisam de respostas. Talvez o segredo esteja em simplesmente seguir. Então eu ando, deixo a noite me engolir e a música continuar tocando porque no fim das contas é só isso que dá pra fazer.


Que merda é essa? eu pirei?

Nunca abri um coco na unha nem ralei no sol, mas pelo menos sei reconhecer um beco sem saída quando vejo um. Esse lugar aqui tem seu charme: a fumaça subindo devagar, o violão desafinado, as conversas sobre revoluções que nunca acontecem. Mas entre um trago e outro, entre um gole e uma risada arrastada, começo a perceber que o tempo aqui não anda, ele escorre.
Talvez eu esteja sendo cético demais, talvez um dia algum deles me prove errado e me mostre um projeto que saiu do papel, uma ideia que virou algo além de palavras jogadas ao vento. Talvez. Mas olhando ao redor, só vejo ervas, álcool barato e a promessa de arrependimentos adiados. E a última coisa que quero é acordar daqui a dez anos percebendo que fiquei preso numa teoria bonita demais para ser verdadeira.


terça-feira, 22 de setembro de 2015

Talvez um cão coragem chamado covarde....

Achei que fosse o covarde da história, o que fugiu, o que largou tudo sem olhar pra trás. Mas quanto mais olho ao redor, mais percebo que talvez eu seja o mais corajoso dessa tribo perdida. Os outros se escondem em fumaça e teorias, desenham planos mirabolantes que nunca saem do papel, enquanto eu pelo menos admito que não sei pra onde tô indo, mas sigo andando.

O mocinho egípcio, esse enigma que caiu comigo na estrada, me cansa mais do que qualquer caminhada sem rumo. Ele avança quando sente que tô indo embora, se dissolve quando me aproximo. Um jogo que nunca termina, que me faz sentir tão imaturo quanto ele, como se estivéssemos brincando de não nos encontrar.

Enquanto isso, a vida aqui segue no mesmo ritmo arrastado, entre tragos e goles, entre conversas sobre um futuro que nunca chega. E eu me pergunto: se todo mundo aqui tem tanto medo de sair do lugar, então quem é o verdadeiro covarde? Talvez o único que realmente tentou algo diferente tenha sido eu. Talvez coragem seja isso – perceber que essa estrada não leva a nada e ainda assim ter a ousadia de seguir em frente.

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Pílulas...

Cheguei em Itacaré achando que tinha tomado a pílula vermelha. Larguei tudo, queimei pontes, caí na estrada atrás de alguma verdade maior. Mas agora tô aqui, largado num barco inacabado, com fome, sujo, e me perguntando se essa pílula não tava vencida. Porque, na real, ninguém te conta que se desligar da Matrix não te joga num paraíso iluminado. Não tem manual, não tem guia espiritual te esperando do outro lado. Só tem o vazio. E fome. Muita fome.Ontem à noite, sentado no casco desse barco enorme, olhando a lua entrar pelas frestas, me dei conta de que talvez eu tenha pulado sem olhar. Tudo aqui parece uma promessa que não se cumpriu, tipo aquelas propagandas de mochilão que vendem liberdade, mas esquecem de avisar que liberdade também significa incerteza, perrengue, solidão. Talvez eu tenha tomado a pílula errada. Ou talvez a vermelha não funcione de verdade. No fim das contas, sair da Matrix não é o problema. O problema é descobrir que não tem nenhuma Zion te esperando. Só um barco inacabado, um estômago roncando e um caminho que ninguém te ensina a seguir.

domingo, 20 de setembro de 2015

Uma vida mansa e isolada no interior, com a possibilidade de ser útil a quem é fácil ser bom, pessoas que não estão acostumadas a ser servidas. E trabalhar com algo que pode ser útil. Além de descansar, natureza, livros, música, amar seu próximo. Essa é a minha ideia de felicidade. O que mais o coração pode desejar?


 





Há meses ele caminha pelo mundo sem telefone, piscina, carros, nem cigarros. A liberdade máxima. Um extremista. Um viajante esteta cujo lar é a estrada. E agora, depois de muito errar, vem a última e maior aventura. A batalha culminante para matar o falso ser interior e concluir com vitória, a revolução espiritual. Sem continuar a ser envenenado pela civilização, ele foge e caminha solitário pelo mundo para se perder em meio à natureza.


 

Filme: Into The Wild




 E também sei o quanto é importante na vida não necessariamente ser forte, mas se sentir forte, se avaliar uma vez na vida, se encontrar pelo menos uma vez na mais antiga condição humana, encarando a cegueira, ficando surdo com nada pra te ajudar além de suas mãos e sua própria cabeça.


sábado, 19 de setembro de 2015

Eu Sóbrio? Oi cada dia mais maluco beleza?

O sol racha minha cabeça enquanto eu me embrenho na missão ingrata de buscar o maldito coco. Ele tá lá no alto, zombando da minha sede, me fazendo pular, improvisar, perder tempo e paciência. Quando finalmente conquisto a vitória de tê-lo em mãos, começa a segunda guerra: abrir essa desgraça. Faíscas saem do canivete, suor pinga no chão, e eu quase ouço Raul rindo ao fundo.
E quando, enfim, a água doce escorre pelos meus lábios, lá vêm eles. Os irmãos perdidos, os fantasmas da estrada, os que se afundam em teorias sem nunca ter segurado um facão na vida. Querem um gole, um pedaço, um pouco daquilo que só eu suei pra conquistar. E eu dou, porque sei que no fundo estamos todos com sede, cada um de um jeito diferente.
Mas enquanto vejo eles se lambuzando sem saber nem por que chegaram até aqui, me bate um estalo. Será que sou eu que tô perdido ou foi o mundo que se achou num labirinto sem saída? Será que essa escolha de vagar sem rumo foi minha ou só um jeito de escapar daquilo que nunca fez sentido?
O coco acaba, os rastros de sede continuam. O sol segue rachando minha cabeça. Talvez seja só a desidratação, mas por um segundo acho que tive um momento de lucidez.

sexta-feira, 18 de setembro de 2015




I hear the birds on the summer breeze, I drive fast
I am alone in the night
Been trying hard not to get into trouble, but I
I've got a war in my mind
I just ride, I just ride

I just ride, I just ride

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Espero encontrar mais um desses no caminho.

Terminei O Velho e o Mar a alguns dias, mas não tive acesso a internet nos últimos dias, acho que isso vai ser o mais complicado para manter minhas anotações em dia por aqui. Mas quanto ao término do livro, eu fiquei ali sentado no meio-fio de uma cidade qualquer, onde ninguém sabe meu nome e onde amanhã talvez eu já não esteja. O livro ficou fechado sobre as minhas pernas por um tempo, como se precisasse de um momento para respirar depois de tudo que me fez sentir e sei que pra continuar lendo terei que deixar esse exemplar em um sebo qualquer para assim talvez conseguir ler outro, já que minha cabeça está uma bagunça, ler me acalma.

Santiago passou dias lutando contra o mar, contra a solidão, contra a certeza de que talvez estivesse condenado a voltar de mãos vazias. E, no fim, voltou. O peixe que ele tanto lutou para conquistar foi arrancado dele antes que pudesse provar seu valor a qualquer um. Mas será que ele precisava?

Olho para o asfalto, para as mochilas largadas ao lado, para o céu que parece sempre maior quando a gente não sabe para onde está indo. Me sinto um pouco como o velho pescador—lutando contra algo que talvez eu nem consiga nomear. A diferença é que ele sabia exatamente o que queria. Eu, não.

Mas talvez a maior lição esteja aí. Talvez não se trate de chegar a algum lugar, nem de provar nada para ninguém. Talvez se trate apenas de seguir em frente, remar quando for preciso, descansar quando o corpo pedir, aceitar o mar como ele é.

Ainda não sei o que me espera no próximo destino. Ou se há um destino. Mas sigo.