Olho ao redor e vejo esses caras deitados na rede, cabelos desgrenhados, roupa do dia anterior, falando de liberdade enquanto esperam que a comida chegue de algum lugar. E eu ali, tentando entender onde foi que me meti. Na teoria, estávamos rompendo com a engrenagem. Na prática, só terceirizamos o trabalho para quem ainda tem os pés no chão.
Me senti um político hipócrita. Um daqueles que fala bonito sobre revolução, mas não pega uma enxada, não planta um pé de alface, não racha uma lenha. O sistema ainda nos sustentava, só que agora sem que precisássemos admitir. E talvez essa tenha sido minha maior lição: fugir do sistema sem construir nada para substituí-lo é só outro jeito de ser conivente.
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